Bússola.

​Se tem algo que é importante pra mim, são as minhas músicas. Pode parecer bobeira, mas são elas que me acompanham nos meus momentos sozinho. São elas que me acompanham quando eu preciso me encontrar.

Tenho muito receio de dividir algum álbum importante pra mim com outra pessoa, já que é como dividir parte de mim ou de minhas memórias. Imagina você mostrando algo importante pra outro alguém e perceber que a pessoa não gostou muito desse algo? Ou que ela simplesmente não chegou as suas mínimas expectativas ao ver? É algo assim.

Minhas músicas são o meu norte e não quero que me desnorteem.

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O diferentão no busão.

​Geralmente quando viajo (1- e eu viajo bastante) (2- tá certo que na maioria das vezes são para os mesmos lugares) percebi que, inconscientemente, procuro por lugares estratégicos para que ninguém se sente ao meu lado. 
Penso nisso enquanto viajo, na poltrona 37, com ninguém ao meu lado. 

O engraçado é que percebi que geralmente, as últimas poltronas do canto esquerdo do ônibus são onde se encontram a maior chance de que ninguém se sente ao meu lado. As do direito sempre ficam preenchidas.

Talvez eu tenha esse jeito individualista e não muito sociável. É que não gosto muito de viajar conversando, uso como um momento de meditação, sabe? Ficar ouvindo música, lendo, fazendo palavras-cruzadas ou simplesmente olhando a paisagem correndo pela janela (1- fora o fato de que é mais confortável) (2- fora o fato de que não preciso ficar pedindo licença pra ir ao banheiro). 

Também não gosto muito de pedalar com companhia e tampouco fazer qualquer outra atividade física com companhia (1- tirando futebol, por motivos óbvios), também pelos mesmos motivos. 

Nada contra uma boa conversa, mas sinceramente, muitas vezes prefiro meus monólogos, prefiro falar menos, ouvir menos ainda e olhar mais.

Eu juro que não sou tão chato quanto parece.

Caraguatatuba, São Paulo, Brasil.

Meu nome é Hugo e enquanto escrevo isso, tenho 22 anos e moro em Caraguatatuba, litoral norte de SP.

Falando nisso, nasci e moro aqui desde sempre e ontem me lembrei de um dia em que estava na praia e pensava sobre o fato do mundo ser do tamanho que a gente o molda, de acordo com a quantidade de passos que nossos pés dão, ou seja, o mundo é do tamanho da nossa realidade, de até onde estamos dispostos a ir. No meu caso, era do tamanho de Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo.

-Naquele dia me dei conta de que a minha vida estava sendo resumida em uma palavra: acômodo-.

É muito mais fácil ser uma pessoa acomodada pelo simples fato de que não exige muito esforço, você não necessita correr grandes riscos e as chances de algo dar errado são mínimas. É uma zona de conforto com relação a todos aspectos da vida, financeiro, físico, emocional e todos os outros.

-Mas as de tudo dar certo também são mínimas-.

Não quero dar aqui muitos detalhes sobre os meus planos, mas posso assegurar de que não sou mais uma pessoa acomodada desde aquele dia. Também quero ressaltar que não vale a pena uma vida acomodada, sem correr riscos, sem ir lá fora e colocar a cara pra bater. A vida só é vivida quando a gente experimenta o mundo real, os problemas reais, tudo que engloba fazer parte de um todo.

Busco a cada dia aumentar um pouco mais o tamanho do meu mundo.